Sobre Perdas

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A experiência de perder alguém que amamos traz muita dor e desorganização e nos coloca diante de intensas e difíceis emoções que podem dar a impressão de que a vida nunca mais será a mesma. E de fato não será. Será outra porque aquele que passa por um processo de perda é modificado por esta vivência, passando por um processo de luto que o leva a construir novos significados tanto para as experiências passadas, quanto presentes, transformando as vivências futuras. Ao mesmo tempo em que passar pelo processo de luto é doloroso, pode ser também fortalecedor, pois ainda que não houvesse o desejo de passar por ele, é possível se restabelecer e crescer com esta experiência.

Se sempre ouvimos que a única certeza que temos é que um dia vamos morrer, também é certo que as pessoas para quais somos importantes vivenciarão um luto: o luto é um processo que pode ser adiado, mas não evitado, sendo, portanto, uma experiência tão universal quanto à morte.

Outras perdas importantes que não por morte igualmente nos abalam e geram um profundo sofrimento, sendo necessário viver um processo de luto para que possamos nos reorganizar. O luto é uma possibilidade de gerar um caminho positivo diante da experiência negativa da perda. A vida não será mais a mesma, mas além da experiência da perda podemos carregar em nossa bagagem a experiência de superação e a possibilidade de reconstrução de novas relações e novos sentidos para a vida.

Eu me recordo de uma pergunta que uma pessoa conhecida fez, num momento de perda eminente: Chris, o que quer fazer com a vida, agora? Enquanto ainda sofria o impacto da perda, a pergunta me chamou para um aspecto importante: a vida. Enfim, o que fazer com a vida, apesar das perdas que todos vivemos?

Gosto dessa resposta, de Caio Fernando Abreu: “Que eu saiba puxar lá do fundo do baú um jeito de sorrir pros nãos da vida. Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica, nem contado em reais. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. (...) Que a vida me ensine a amar cada vez mais de um jeito mais leve. Que o respeito comigo mesmo seja sempre obedecido com a paz de quem esta se encontrando e se conhecendo com um coração maior.”

Christina Rocha

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